Que mulher a TV quer que você seja?




Você, mulher, já se fez essa pergunta?


Pensa numa mulher jovem, alta, magra, branca, saudável, monogâmica, com cabelo liso e louro, com o corpo levemente bronzeado e torneado como quem corre na praia todo fim de tarde.
Esse é o corpo que a mídia nos vende nos comerciais de TV e na mocinha da novela das 20h.



Tá longe da sua realidade?
Da minha também… 

A esmagadora maioria de nós realmente não tem perfil magra, não como as modelos. Ou somos magras demais, ou gordas demais, baixas demais, altas demais…

Isso porque o corpo dito ideal pelas mídias e que tem por trás um dedinho do capitalismo nos vende como ideal de beleza um corpo que é inatingível. A mulher que descrevi acima teria esse corpo, sendo ele feito, refeito, transformado e caprichado no photoshop.

Em tempos em que a mulher ocupa o espaço público de formas diversas (universidade, empresas, escolas, ciência, política, etc .) é um espanto ainda ver ‘receitas’ que nos dizem como devemos ser, o que vestir, qual corpo é o ideal, o que é ser uma boa menina, entre outras coisas.
Desta forma, cabe pensar que os tais produtos que nos são oferecidos nos comerciais de TV, publicidades em revistas, outdoors, rádio, etc, não estão comprometidos com nosso real interesse e/ou bem estar, mas sim em nos manter nesses padrões pré-estabelecidos para o ciclo de consumo frenético. 

“Como disfarçar as gordurinhas”
“Chega de guerra com a balança, faça essa dieta infalível”
“Veja o que usar no verão para disfarçar o peso a mais”
“Siga a dieta de fulaninha, que apareceu com a barriga chapada após ter dado a luz”
“Temos o segredo que fez fulana perder 3 quilos em um mês”
“Veja o truque de fulana para ter o cabelo macio e rosto liso como de bebê”

OBS: Qualquer semelhança com a realidade será mera consciência. 

O corpo a serviço de quem?

Todos os dias nós vemos pautas de beleza, moda, atividades financeiras, crimes, e etc. Mas a TV não dá conta de nos passar todas as informações, portanto, ela seleciona o que relaciona-se com os valores, preceitos e interesses que possui.

Desta forma, quando as atrizes são convidadas para uma novela, as modelos escolhidas para uma campanha publicitária ou quando as bailarinas de um programa são selecionadas os valores de mulher bonita estão em jogo.

O que a mídia veicula interfere na chamada subjetividade, ou seja, na nossa formação de opinião. Ela influencia seja com nossa opinião, cedendo à indução midiática ou se opondo a ela, com movimentos de resistência. 

Exemplos quanto a essas formações de opinião são: 

1. Várias tentativas de diferentes mulheres em emagrecer e chegar às medidas de atrizes, modelos, mulheres midiáticas, que vivem de seu corpo e do glorioso photoshop, assim como com o consumo de produtos de beleza, de estética e ‘controles’ corporais. 
2.  Já os movimentos de resistência podem ser vistos na afirmação do corpo natural, sem modificações cirúrgicas e modulados em clínicas de estética e academias, nos cabelos crespos e encaracolados.

O que está em jogo?

A sua autoestima e capacidade em ser feliz com o corpo que você possui. Quando convencidas de que o corpo ideal é o da mídia, corremos um grande risco de sofrer com qualquer 0,5kg a mais. Assim como nosso risco de frustração a cada produto milagroso que nos promete emagrecer e rejuvenescer e não funciona.

A grande pergunta é: Como viver bem e feliz se você não chega nem perto de ser como a Gisele Bunchen?

O mais cruel nessa história toda é que tudo nos parece fácil e alcançável nos comerciais. No fim das contas, se você não está magra, linda, jovem e maquiada aparenta que você é desleixada e não cuida de si, do seu corpo e da sua vida, já que você tinha todo um aparato lá ao alcance das mãos.
Doce ilusão capitalista!
Chegamos então a um momento em que jovens com 12 anos fazem dietas drásticas e, nos casos mais graves, desenvolvem transtornos alimentares porque na TV, nas revistas teen e na publicidade não há representatividade para meninas negras, gordas, com cabelos crespo, pautas LGBT. Há uma grande invisibilidade do próximo, do real.Tudo isso somado a pautas que pouco acrescentam em questões práticas para a vida. Normalmente se resumem a ‘como conquistar aquele gato’ ou ‘veja se ele está mesmo afim de você’… Esse será um assunto para uma publicação futura.

Bye bye com Galeano

 A Igreja diz: o corpo é uma culpa. A Ciência diz: o corpo é uma máquina. A publicidade diz: o corpo é um negócio. E o corpo diz: eu sou uma festa.(Eduardo Galeano)

Mulheres, é possível nos sentirmos felizes com nossos corpos, com quem somos!
Cabe sempre um posicionamento crítico do que estamos vendo, ouvindo e principalmente, reproduzindo. Sejamos críticas, nossa militância tem poder, podemos escrever para programas de TV elogiando pautas bacanas e criticando aquelas que nos “encaixotam” em fora ou dentro do padrão. Dica de ouro!

Se você, companheira, se percebe em sofrimento psíquico por essas razões ou percebe que sua autoestima anda baixa, procure ajuda. Você é maravilhosa e você pode descobrir isso… Está dentro de você. Por hora é o que posso lhe adiantar.

Você pode mudar sua alimentação e se reeducar, desde que seja visando saúde, não só pode como deve se exercitar, desde que isso te proporcione prazer, você pode se embelezar, mas não se esquecendo de quem você verdadeiramente é.

Afinal de contas, não importa que mulher a mídia quer que você seja e sim: Que mulher você quer ser?

OBS: Deixei um vídeo que achei maravilhoso! Dancem todas nesse ritmo!

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