Sobre coisas do coração



Numa noite destas conversava com uma querida amiga, sobre escolhas. Não foi um papo longo. Foi o suficiente para algumas boas reflexões e para escolha do tema do texto dessa semana.

Seria muito difícil precisar quantas decisões tomamos ao longo de um único dia. E o que dizer de uma vida? O que nos leva a um caminho em detrimento de tantos outros? Escolhas que com o passar dos anos, de acordo com nossas experiências e gostos são de simples resoluções e respostas de como chegamos a elas.

Porque Flamengo e não Fluminense?
Praia ou Serra?
Rock ou Funk?
Água ou Chopp?
E as que exigem uma maior reflexão e ponderar as possíveis consequências da escolha.
Qual carreira seguir?
Quando trocar de emprego?
Casar?
Ter filhos?
Quantos?

 Após refletir sobre essas questões recordei como algumas situações dessas ocorreram na minha vida e, de como acertei e errei nesse processo. Porque nem sempre é fácil escolher, para optar por uma, temos que preterir muitas outras. Se errei? Muito.  Sim, a vida também depende dos erros na hora das definições. E por elas o seu caminho pode mudar, para o bem ou para o mal. Acredito que todxs temos momentos de angustias, aflições e indecisões em algum momento decisório. Arrependimento, orgulho, sorte, vários sentimentos permearam minha viagem de recordar vitórias e derrotas, contudo senti um imenso orgulho ao perceber que foram todas escolhas minhas e do meu coração, e pensei que pior que errar, deve ser não poder escolher. Imagine seus pais escolhendo sua profissão ou com quem você irá se casar. (Isso ainda existe!).

Quando as coisas não acontecem como queríamos tendemos a creditar nas escolhas que fizemos, como responsáveis pelo rumo que as coisas tomaram e, exatamente quando eu caia nessa armadilha, minha amiga (ainda sobre a conversa que tivemos noite dessas) me apresenta a seguinte frase que muda minha maneira de encarar um caos momentâneo. Diz ela “Eu demorei, mas entendi que nem sempre a gente recebe o que merece, normalmente é só o que a gente precisa”. E então percebi que é preciso coragem para decidir e seguir em frente mesmo quando tudo parece estar errado e força pra mudar o caminho quando julgar necessário. No fim, suas escolhas podem até não te levar onde você queria, mas certamente fará do seu coração um lugar habitável, nem que seja por você, sua autonomia e responsabilidade por seus atos.

A vida é assim.


Muitos caminhos, que parecem complicados, nos levam a grandes alegrias e a rumos espetaculares. Em outros casos, pouco tempo basta para que venha um enorme arrependimento. Mas não tem jeito. Faz parte da dinâmica do mundo. Então, que todxs sejamos felizes nas nossas próximas escolhas. E acredite, as escolhas já feitas de alguma forma estão influenciando as próximas.


Me despeço com uma mensagem retirada do livro Gestalt e grupos de Therese A. Tellegen, que levam a refletir sobre o fardo, que é de todos nós, de ter que deliberar sobre a existência, tarefa da qual aparentemente só cabe a nós humanos. 

  “Olhe bem para cada caminho…Experimente-o tantas vezes quanto achar necessário…Depois, pergunte-se:Esse caminho tem coração?Se tiver, o caminho é bom;Se não tiver não presta.Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma,Mas um tem coração e o outro não.”



(Don Juan para Carlos Castañeda)

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