Se você já pegou no ferro de passar roupas e ele estava quente, imaginamos que você não repetirá esse ato. Provável que você cheque sempre antes se ele está ligado ou não antes de efetivamente tocá-lo. Essa experiência serve pra você, mas será que falar para o seu filho que ele não deve tocar no ferro, quando a cabeça dele está borbulhando de curiosidade sobre o ferro, serve pra ele?
Ou quando você é adolescente e sabe que determinado programa ou site incide em vírus no computador, mas aquele avô cisma de acessar/baixar algo. Você evita o site/programa, ele não. Sua experiência e conhecimento servem pra você, mas ficar alertando ou tentando impedi-lo de acessar funciona?
Você que teve um relacionamento destrutivo e hoje tenta alertar sua amiga sobre os perigos do envolvimento dela com um novo carinha, que se mostra ciumento e pouco compreensivo. Você enxerga os possíveis riscos dessa relação, mas ela enxerga?
(Estes foram apenas alguns exemplos, mas você poderá usar sua imaginação para ampliar a outras situações da vida.)
Obviamente, se podemos dividir nossa experiência e com ela alertar alguém que amamos faremos isso. Mas todo cuidado é pouco. Precisamos honrar a experiência do outro, não parece justo assumir o lugar daquele “que sabe”, como se o outro, a partir das experiências dele não estivesse apto a decidir por si. Não podemos simplesmente desautorizar alguém de vivenciar algo que é de sua escolha, ainda que particularmente não nos pareça uma escolha saudável.
Muitos problemas familiares se dão a partir do exposto acima, divergências de pensamentos, convicções e de diferentes olhares advindos de diferentes lugares e direções para um mesmo fenômeno. Para estes casos há de se ter empatia, bem traduzida nas palavras de Jacob Levy Moreno:
“Um Encontro de dois: olhos nos olhos, face a face.
E quando estiveres perto, arrancar-te-ei os olhos e colocá-los-ei no lugar dos meus;
E arrancarei meus olhos para colocá-los no lugar dos teus;
Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-me-ás com os meus.”.
Então ver-te-ei com os teus olhos e tu ver-me-ás com os meus.”.
Com esta frase, Moreno nos implica a trocar de lugar com o outro e tentar enxergar o fenômeno com ‘os olhos’ do outro. Esses olhos seriam justamente uma tentativa de ‘incorporar’ as vivencias do outro e tentar pensar a partir das marcas que essas vivencias podem ter deixado.
Muitos conflitos podem ser evitados simplesmente por uma fala que honre o desejo e experiência do outro. Por que não tentar algo como “Olha filho, uma vez a mamãe colocou a mão no ferro e se machucou, não queria que você corresse o risco de se machucar também” ou “Avô, uma vez eu peguei vírus entrando nesse site. Acho que pode acontecer o mesmo com você. Que tal aprender a manusear o anti vírus? Vamos também procurar outro programa que tenha o mesmo conteúdo e não ofereça o risco de vírus?” ou ainda, “Amiga, eu já vivenciei um relacionamento parecido que não me fez bem, mas entendo que vocês são outras pessoas e que pode dar certo. Só toma cuidado tá?”.
Por fim, deixo alguns pontos como lembrete para a vida, eles poderão facilitar sua relação com as pessoas que ama.
1. Nem sempre suas experiências servirão para outras pessoas.